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sexta-feira, 24 de março de 2017

NOTA DOS BISPOS DO BRASIL SOBRE A PEC 287/16 – “REFORMA DA PREVIDÊNCIA”

“Ai dos que fazem do direito uma amargura e a justiça jogam no chão”
(Amós 5,7)

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, dos dias 21 a 23 de março de 2017, em comunhão e solidariedade pastoral com o povo brasileiro, manifesta apreensão com relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, de iniciativa do Poder Executivo, que tramita no Congresso Nacional.
O Art. 6º. da Constituição Federal de 1988 estabeleceu que a Previdência seja um Direito Social dos brasileiros e brasileiras. Não é uma concessão governamental ou um privilégio. Os Direitos Sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio.

Abrangendo atualmente mais de 2/3 da população economicamente ativa, diante de um aumento da sua faixa etária e da diminuição do ingresso no mercado de trabalho, pode-se dizer que o sistema da Previdência precisa ser avaliado e, se necessário, posteriormente adequado à Seguridade Social.

Os números do Governo Federal que apresentam um déficit previdenciário são diversos dos números apresentados por outras instituições, inclusive ligadas ao próprio governo. Não é possível encaminhar solução de assunto tão complexo com informações inseguras, desencontradas e contraditórias. É preciso conhecer a real situação da Previdência Social no Brasil. Iniciativas que visem ao conhecimento dessa realidade devem ser valorizadas e adotadas, particularmente pelo Congresso Nacional, com o total envolvimento da sociedade.

O sistema da Previdência Social possui uma intrínseca matriz ética. Ele é criado para a proteção social de pessoas que, por vários motivos, ficam expostas à vulnerabilidade social (idade, enfermidades, acidentes, maternidade…), particularmente as mais pobres. Nenhuma solução para equilibrar um possível déficit pode prescindir de valores éticos-sociais e solidários. Na justificativa da PEC 287/2016 não existe nenhuma referência a esses valores, reduzindo a Previdência a uma questão econômica.

Buscando diminuir gastos previdenciários, a PEC 287/2016 “soluciona o problema”, excluindo da proteção social os que têm direito a benefícios. Ao propor uma idade única de 65 anos para homens e mulheres, do campo ou da cidade; ao acabar com a aposentadoria especial para trabalhadores rurais; ao comprometer a assistência aos segurados especiais (indígenas, quilombolas, pescadores…); ao reduzir o valor da pensão para viúvas ou viúvos; ao desvincular o salário mínimo como referência para o pagamento do Benefício de Prestação Continuada (BPC), a PEC 287/2016 escolhe o caminho da exclusão social.

A opção inclusiva que preserva direitos não é considerada na PEC. Faz-se necessário auditar a dívida pública, taxar rendimentos das instituições financeiras, rever a desoneração de exportação de commodities, identificar e cobrar os devedores da Previdência. Essas opções ajudariam a tornar realidade o Fundo de Reserva do Regime da Previdência Social – Emenda Constitucional 20/1998, que poderia provisionar recursos exclusivos para a Previdência.

O debate sobre a Previdência não pode ficar restrito a uma disputa ideológico-partidária, sujeito a influências de grupos dos mais diversos interesses. Quando isso acontece, quem perde sempre é a verdade. O diálogo sincero e fundamentado entre governo e sociedade deve ser buscado até à exaustão.

Às senhoras e aos senhores parlamentares, fazemos nossas as palavras do Papa Francisco: “A vossa difícil tarefa é contribuir a fim de que não faltem as subvenções indispensáveis para a subsistência dos trabalhadores desempregados e das suas famílias. Não falte entre as vossas prioridades uma atenção privilegiada para com o trabalho feminino, assim como a assistência à maternidade que sempre deve tutelar a vida que nasce e quem a serve quotidianamente. Tutelai as mulheres, o trabalho das mulheres! Nunca falte a garantia para a velhice, a enfermidade, os acidentes relacionados com o trabalho. Não falte o direito à aposentadoria, e sublinho: o direito — a aposentadoria é um direito! — porque disto é que se trata.”

Convocamos os cristãos e pessoas de boa vontade, particularmente nossas comunidades, a se mobilizarem ao redor da atual Reforma da Previdência, a fim de buscar o melhor para o nosso povo, principalmente os mais fragilizados.

Na celebração do Ano Mariano Nacional, confiamos o povo brasileiro à intercessão de Nossa Senhora Aparecida. Deus nos abençoe!


Brasília, 23 de março de 2017.
Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

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domingo, 19 de março de 2017

A EQUIPE DO IN AGRADECE AOS INTERNAUTAS PELOS MAIS DE MIL E DUZENTOS SEGUIDORES.

Por: Equipe IN.
Fotos: Pedro Henrique.

A equipe do Ibitupã News agradece a todos os internautas e leitores assíduos deste blogue pelos mais de 1.200 seguidores/curtidas. Este veículo de comunicação foi criado para dar vez e voz aos excluídos, as minorias aos sem médias. Daremos atenção a política, a arte e denunciaremos os abusos, sempre pautado por uma informação com imparcialidade, e tendo como norte: a verdade e a credibilidade. 
Informaremos com isenção e independência doa a quem doer. E é grato perceber que os objetivos da criação do IN tem sido comprido rigorosamente até aqui. Este é um espaço democrático, o contraditório, a divergência e o respeito são bem-vindos! Todos aqueles que têm algo importante a dizer, conte com este espaço, expresse-se, elogie, critique e reivindique. 
O IN continuará publicando, divulgando o que existe de bom em Ibitupã e na região, todavia, jamais maquiando a realidade social e as mazelas, sempre com o intuito de contribuir para a solução de tais problemas. Publicaremos artigos, entrevistas, contos, textos mais reflexivos (filosófico) e os textos de homenagens, por isso, contamos não só com o prestigio da sua audiência, porém como co-autores, sua opinião é muito importante, e aqui, é levado a sério. O direito a resposta será mais uma marca da nossa comunicação, o direito ao contraditório, repetimos – é sagrado.
Os colunistas, Pericles Gomes, Pedro Henrique, Sillas Prado, Leandro Bahiah, Josenaldo Jr, Luis Henrique, Tiany Bahiah, Jailton Gomes, Adenilson de Oliveira, Kallil Diaz, Jamilson Campos e outros colaboradores estarão atentos para levar até você a INFORMAÇÃO QUE VOCÊ USA, apesar da correria, o compromisso com você internauta e o amor pelo fazer jornalismo e, levar a informação com credibilidade nos faz superar a cada dia.

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quarta-feira, 15 de março de 2017

PADRE VALDO.

O HOMEM DE SOBRENOME REAL.
Pe. Valdo & Maria.

Por: Leandro Bahiah.
Imagem: Rede Social.

Seria egoísmo demais nosso, principalmente dos ibitupaenses, de querer desfrutar-se exclusivamente da sua sabedoria, da sua amizade, da sua alegria e do seu afeto. A ideia de tê-lo conosco a todo tempo e em todas as horas possíveis – é tentadora! Contudo, a sua ausência nos remete a (saudade), isso também é bom! O ser humano só sente falta do que é bom, dos que nos fazem felizes e, que desperta em nós, o quão importante somos na vida. E na despedida: abraços, afagos e lágrimas.
Chegou por aqui, e teve pouquíssimas resistências. E não demorou muito, ganhou a todos. Aquela imagem de padre vista antes, cai por terra. A imagem era sempre de um sujeito carrancudo, que não brincava, e que para você ter uma pequena conversa era preciso antes ter uma permissão divina, esta era a triste imagem que tinha dos padres. Mas isso foi sendo quebrado com a chegada daquele novo padre.
Lembro-me que a cada homilia, a cada café tomado, a cada conversa crescia o número de admiradores! Os comentários positivos vinham de todo lugar. Até imitava-o para alguns amigos o seu forte sotaque, parei, e o sotaque? Continua lá, habituamos com aquele sotaque bonito! Então, esperávamos ansiosamente pela primeira e a última terça dos meses, era quando o mesmo vinha celebrar a Santa Missa. A esta altura, percebi que aquele padre, não era só o padre das idosas, era o padre das crianças, dos adultos e também era o padre dos jovens! Ganhou a todos sem fazer nenhum esforço, esse padre gosta de gente!
Aliás, sempre ouvir dos padres que a igreja era dos jovens, e era mesmo. Mas não via neles nenhum esforço para que os mesmos se sentissem parte, já que nem diálogo havia entre padre e os jovens. Como ir a Igreja? Fazer parte? Fé! E o incentivo dos amigos. Mas, aquele padre em especial, era diferente. Tinha diálogo, sabia ser enérgico quando preciso, sempre elegante, notava-se que é um intelectual, e que estava disposto a fazer sempre algo a mais, e fizera.
Soube ser imparcial diante da política de Ibicuí. Abriu os nossos olhos, agora, todos poderiam ver os seus direitos e deveres como cidadãos (ãs), diante da realidade de abandono que vivia ou vivem os ibicuienses, e então, mostrou-nos qual o papel do leigo cristão na política. Seu coração enorme, sua atitude cristã de ajudar os menos favorecidos, já era para mim o suficiente, entretanto, o pároco foi além, registrei através de grafemas neste espaço democrático que o padre em questão, fez mais neste curto período que esteve à frente da Paróquia São Pedro do que TODOS os políticos que tiveram por décadas na Prefeitura de Ibicuí, e não é retórica – é fato!
Sobrenome de família real, simplicidade de homem sertanejo do campo, pois saiba que suas palavras padre estarão sempre nos nossos corações: “Juízo!”, e nas nossas mentes, suas obras estarão diante dos nossos olhos, suas amizades feitas, é rocha! Seus afilhados, suas afilhadas e seus sempre paroquianos estarão sempre aqui, ali, aculá, e fique a vontade para fazer visitas para uma conversa, para um café, para confidenciá-lo como amigo ou uma confissão.
Na correria do dia-a-dia, padre, perdoe-nos pela falta de uma ligação, de uma mensagem nas horas certas e incertas para dizer como vai? Como foi o seu dia? Precisa de algo? Fazer uma visita! Todavia, saiba que o senhor conta sempre com a minha oração. Sua altivez, o faça hoje o que pode ser feito hoje, a convicção e o seu positivismo/otimismo nos encanta e inspira. Perdoa porque só compreenderemos o seu papel quando chegarmos ao paraíso... Se o compreendêssemos na terra, morreríamos, não de pavor, mas de amor, parafraseando São João Maria Vianney.
Por tudo que fez, e quiçá por tudo que gostaria de ainda fazer por Ibitupã, resta-me dizer com nostalgia e ao mesmo tempo feliz porque sabemos que o seu coração e a porta da sua casa estará sempre aberta para nós. Que Deus ilumine os seus passos e lhe dê forças e muita saúde para prosseguir com seu ministério. Muito obrigado Padre Ariosvaldo Aragão, padrinho!


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segunda-feira, 13 de março de 2017

DOM LUÍS NOMEIA OS NOVOS PÁROCOS DE IBICUÍ E POÇÕES.

Por: Ibitupã News
Imagem: Rodrigo Oliveira

Sua Excelência reverendíssima, Dom Luís Gonzaga Silva Pepeu, Arcebispo da Arquidiocese de Vitória da Conquista/BA,  no uso das atribuições que são próprias do múnos episcopal, tendo ouvido e atendendo as necessidades espirituais, pastorais e administrativas da Diocese, e em especial das paróquias: São Pedro/Ibicuí e do Divino Espirito Santo em Poções/BA,  nomeia os seus novos pastores.

O reverendíssimo padre Ariosvaldo de Jesus Aragão, até então pároco da paróquia de São Pedro em Ibicuí, foi nomeado como novo pároco da paróquia do Divino Espírito Santo em Poções, sucedendo a Dom Carvalho, que fora nomeado bispo de Caitité, por sua Santidade, o papa Francisco. Para sucedê-lo em Ibicuí, o arcebispo nomeou o reverendíssimo padre Edmilson José dos Santos. 

Na noite de ontem se deu os avisos das mudanças e as respectivas datas de despedida e posse. A saber: Padre Ariosvaldo fará a missa de despedida no dia 26 de março, quarto domingo da quaresma e dia 29 de março numa quarta-feira, se dará a sua posse. Na quinta-feira (30), no dia seguinte, em Ibicuí, o Padre Edmilson toma posse como novo pároco da paróquia.  

Ao padre Edmilson nossos sinceros votos de um ministério frutuoso a frente da nossa amada paróquia e nossa disponibilidade em servir e divulgar as atividades de nossa paróquia. Sempre certos de que os gloriosos São Roque e São Pedro lhe auxiliarão na sua missão de conduzir como pastor essa parcela do povo de Deus que lhe fora confiado.

Quanto ao padre Ariosvaldo – conhecido por todos como padre Valdo, o Ibitupã News agradece imensamente pelo seu ministério sacerdotal realizado em nossa paróquia e em especial na nossa comunidade São Roque em Ibitupã. Desejamos ainda que seja muito feliz em sua nova missão nas terras do Divino. Conte sempre conosco! E como nos ensinou a crer: “No fim tudo dá certo, se não deu certo é porque ainda não chegou o fim”.

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sexta-feira, 10 de março de 2017

ACREDITAR EM EVOLUÇÃO?

Por: Dom Cristiano Jakob Krapf

Entre Ciência e Religião, entre fé e razão, onde está a Verdade? A evolução atual da ciência contradiz o ensinamento da Bíblia sobre a origem do mundo e do homem?   Um leitor da “Superinteressante” faz a pergunta assim: “É coerente acreditar em Deus e também em Darwin?”
A revista responde: “Na comunidade científica, o consenso é de que a evolução é autossuficiente, exclui a figura de um criador.”

Tal resposta genérica é mentira. A mesma revista traz logo depois a resposta diferente de um professor formado em física experimental e doutor em teologia. Não sei quantos cientistas são ateus ou agnósticos, mas sei que muitos cientistas sérios têm fé. Muitos acreditam na mensagem da Bíblia sobre Deus, o Criador do mundo.

Entre os habitantes atuais do planeta terra, os adeptos do monoteísmo são maioria. Mais de um bilhão de católicos e um bilhão de outros cristãos, e mais de um bilhão de maometanos e muitos milhões de judeus, acreditam na existência de um só Deus, Criador do mundo de matéria e energia regido por leis criadas por ele para organizar a evolução desde o início até a situação atual e futura.
Podemos entender a inteligência como dom de Deus que nos criou com a capacidade de sondar os mistérios do mundo e com a missão de cuidar da morada que criou para nós. Quanto ao futuro, depende também de nós que temos o dom da liberdade que cientistas preconceituosos querem enquadrar nos seus conhecimentos limitados ao mundo material.

Muitos cristãos reconhecem a importância dos fundamentos racionais da sua fé e não se deixam abalar por questionamentos superficiais. Em vez de criar dificuldades com pormenores dos textos bíblicas sobre a criação do mundo e sobre a história do povo judeu, entendem que a mensagem da Bíblia pode servir de fundamento para os acréscimos da ciência. Salmos escritos faz trinta séculos nos falam da beleza de Deus no Céu. A obediência aos 10 mandamentos melhora o convívio dos homens na terra.
Quem não quer saber de Deus aceita qualquer teoria “científica” que pretende explicar o mundo sem Deus. Desde meu tempo de menino procurei seguir o conselho de Paulo: “Examinai tudo, guardai o que for bom!”  Já sou velho e não achei qualquer teoria racional razoável contra a existência de Deus, o Criador não feito por outro.

Entre aqueles que admitem que não existe prova científica contra a existência de Deus, muitos acham ou dizem que também não se pode provar que Deus existe.

Agnósticos céticos acham que nada se pode saber sobre Deus.  Dizem que ninguém pode conhecer a verdade, que ninguém pode ter certeza de nada. Para os mais radicais, não existe verdade. Para esses, tenho uma pergunta: É verdade que não existe verdade?  Outros admitem que possa existir alguma verdade, na filosofia e na religião, mas dizem que ninguém pode conhecer a verdade. Para esses, tenho duas perguntas: É verdade que ninguém pode conhecer a verdade? Como sabem?

Acontece que o conhecimento humano ultrapassa a ciência sobre as leis da natureza material. Somos capazes de filosofia. Só que muitos “filósofos” de hoje ficam filosofando sobre tudo, mas fogem da essência da filosofia que é a metafísica, a reflexão que ultrapassa os limites da matéria.

Alguns pretendem explicar a origem de tudo com a teoria do Big Bang, dizendo que tudo começou com a Grande Explosão. Tal teoria contradiz as leis mais elementares da ciência moderna e da filosofia. A ciência moderna afirma que na natureza nada se cria e nada se destrói. A filosofia diz que do nada não surge nada.   A teoria do Big Bang não explica origem de nada.

Qualquer criança curiosa pergunta: O que foi que explodiu? De onde veio o material (massa/energia?) que explodiu? Pergunta parecida faz aos que dizem que Deus é o criador de tudo: E quem foi que fez Deus?
Acontece que tal pergunta sobre Deus tem resposta racional: Deus é aquele que existe por si mesmo, o único ser que não foi feito por outro. Segundo um texto da Bíblia, escrito muitos séculos antes do nascimento de Jesus, foi assim que Deus se deu a conhecer a Moisés: Eu sou aquele que é.  Esse é o sentido da palavra hebraica Jahvé, já por três milênios o nome de Deus para o povo judeu.

Séculos depois, filósofos gregos deram definições semelhantes: Deus é aquele que é. Aquele que existe por si mesmo, que não é feito por outro. O primeiro motor de tudo que se move, de toda mudança. Causa primeira de tudo que existe. A origem. Antes da filosofia grega já estava escrito na Bíblia: No início Deus criou o céu e a terra.  As dificuldades entre cientistas e biblistas têm sua causa principal nos mal-entendidos de muitos cientistas e religiosos sobre a mensagem da Bíblia, e em conclusões precipitadas nada científicas de cientistas metidos a filósofos.

O que existiu primeiro, o sol ou o dia?


Quanto à Bíblia, a dificuldade maior está no fundamentalismo que pretende enquadrar no rigor da linguagem da ciência de hoje a descrição poética da criação do mundo nas páginas da Bíblia, escritas em linguagem acessível aos leitores de todos os tempos. Sua mensagem é feita para ser entendida no tempo que foi escrita e no nosso tempo cheio de ciência, e nos tempos de futuras evoluções do conhecimento.
Para fundamentalistas que apresentam a interpretação literal de qualquer texto bíblico como questão de fé, tenho uma pergunta: O sol foi mesmo criado no quarto dia? Como é que podiam existir dias quando não existia sol?

Quanto à criação dos seres vivos, a descrição bíblica não está distante da teoria da evolução. Apenas acrescenta que tudo que conhecemos tem origem divina e passa por mudanças de acordo com leis que regem a natureza, leis também criadas por Deus desde o começo: “Que a terra produza seres vivos, plantas e animais.”

Se a dificuldade maior se refere à criação dos seres humanos, é preciso reconhecer a diferença essencial entre eles e os outros seres que andam na terra, nadam no mar e voam no ar.  A Bíblia explica:  “E Deus disse:  Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.” Tal semelhança não pode estar no corpo. Se estivesse no corpo, macacos também seriam semelhantes a Deus. Uns mais, outros menos.
Podemos combinar as teorias sobre a evolução do corpo humano, passando por antepassados semelhantes a macacos, com a mensagem da Bíblia que diz que Deus formou o homem do pó da terra. Pela ciência sabemos que o macaco também é feito do pó da terra. Dos mesmos elementos que formam o corpo humano.

O mundo é tão bem feito que tudo vem evoluindo como por si mesmo, sustentado por leis naturais criadas junto com este mundo de matéria e energia.

E a criação da mulher, apresentada como tirada da costela do homem? Quero apenas lembrar que a Bíblia traz duas descrições sobre a criação dos seres humanos. A segunda é bem diferente: “Deus disse: Façamos o ser humano à nossa imagem e semelhança ...  Homem e mulher os criou.”  Nada diz sobre costela de Adão.  Pergunto aos fundamentalistas que dizem que devemos tomar tudo ao pé da letra:  Qual das duas descrições é verdadeira? “Nenhuma,” dizem ateus e agnósticos.

Com boa vontade, dá para entender a mensagem da Bíblia sobre Deus e sobre nós. Dá para ver que Deus confiou a terra aos nossos cuidados. Cumprindo bem a nossa missão, podemos viver e conviver em paz.  Se fizermos os estragos dos pecados no convívio da nossa morada, não adianta reclamar de Deus.
Podemos entender também que a semelhança com Deus não nos é dada como coisa pronta e acabada, mas como vocação a realizar. Somos colaboradores de Deus na sua obra. De maneira especial na sua obra prima que somos nós mesmos.

Somos chamados a colaborar com Deus em três dimensões: Organizando nossa própria vida, cuidando do mundo onde fomos colocados, e prestando serviços na comunidade, em qualquer lugar que nos foi dado para viver.

O mesmo número daquela revista tem um artigo de capa com a pretensão de apresentar uma “Biografia de Deus”. Tal artigo traz uma escolha arbitrária de ideias sobre seres mitológicos chamados de deuses, mitos surgidos em culturas anteriores ao conhecimento do único Deus verdadeiro. Tais religiões têm seus valores, mas não têm os fundamentos racionais que o monoteísmo tem.

Muitos judeus se deixavam contaminar por tais ideias, combatidas na Bíblia como idolatrias incompatíveis com a fé. O texto da revista desconsidera toda evolução da religião a partir de acontecimentos da história do povo judeu que grande parte da humanidade de hoje considera como intervenções de Deus na história dos homens. Cremos que Deus falou pelos profetas para quem o procura com sinceridade, e que veio estar conosco para que possamos estar com ele.

Fonte: CNBB


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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

CRÔNICA DE FÉRIAS: "VARIAÇÕES SOBRE O PRAZER"

Por: Pericles Gomes
Imagem: Internet

Hoje acordei mais cedo do que comumente tenho despertado. Quando me levanto fico sempre na dúvida se devo tomar café ou almoçar. Apesar das férias, nunca abandono as minhas leitura. E hoje senti vontade ler Rubem Alves. Uma breve inferência: Rubem Alves é o escritor brasileiro que mais me dá prazer, seus escritos são saborosos. E aos que me perguntam o motivo do meu contentamento em lêlo, respondo com uma frase dele mesmo: "Faz tempo que para pensar sobre Deus não leio os teólogos, leio os poetas". Ele consegue reunir em si ambas as coisas, é teólogo, mas graças a Deus também é poeta. 

Pois bem, passei o dia com “Variações sobre o prazer” em mãos, livro que ganhei de presente de Ellen Roberta,minha professora amiga ou será amiga professora? por quem tenho enorme afeição. O livro foi escrito “sob uma inspiração culinária e gastronômica”, como o próprio autor afirmou. Não me canso de lê-lo. Recomendo a todos quantos desejam uma boa leitura.

Escrevo com a intenção de motivá-los não apenas a ler, mas a “degustar” este livro e os escritos do Rubem, escrevo apenas uma ““notas de canapé”, coisas pequenas e saborosas, algumas doces, outras apimentadas, que abrem o apetite”.

“A vida é assim: a gente escolhe um caminho na esperança de ele vá nos conduzir a um lugar de alegria. Tolos, pensamos que a alegria está ao final do caminho. E caminhamos distraídos, sem prestar atenção. Afinal de contas, caminho é só caminho, passagem, não é ponto de chegada. Com frequência, a gente não chega lá, porque morre antes. Mas há uns poucos que chegam ao lugar sonhado – só para descobrir que a alegria não mora lá. Caminhamos sem compreender que a alegria não se encontra ao final, mas as margens do caminho. Não foi isso que disse Riobaldo: “O real não está na saída e nem na chegada, ele se dispõe para a gente é no meio da travessia””.

Em outras palavras ele está nos dizendo que a única coisa que não podemos é deixar de caminhar. Mas não vale qualquer caminho, precisamos saber aonde vamos. Caso contrário à vida pode nos dar a mesma resposta que o gato a Alice no país das maravilhas. Para quem não se lembra, recordo. Alice está perdida em uma encruzilhada, em uma árvore ver um gato e lhe pergunta: - “Para onde vai esta estrada?” E o gato lhe interroga: “Aonde desejas ir?” e ela responde que não sabe aonde quer ir, está perdida. Então de forma magistral o gato sentencia: “Para quem não sabe aonde ir, qualquer caminho serve”.

E o Rubem corrobora com isso ao nos escrever: “Lembre-me das palavras de Walt Whitman: “Quem anda duzentos metros sem vontade, anda seguindo o próprio funeral, vestindo sua própria mortalha...”” “É preciso escolher. Porque o tempo foge. Não há tempo para tudo. Não poderei escutar todas as músicas que desejo, não poderei ler todos os livros que desejo, não poderei abraçar todas as pessoas que desejo. É necessário aprender a arte de “abrir mão” – a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial”.

A nossa felicidade, portanto, é um itinerário que todos são chamados a percorrer. “Alegrando-se na contemplação das telas da Bíblia de Marc Chagall, o filósofo francês Gaston Bachelard proclamou a sua fé: “O universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso””.

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domingo, 8 de janeiro de 2017

GRATIDÃO E OBRIGAÇÃO É PRECISO DIFERENCIÁ-LAS.


Por: Leandro Bahiah.
Imagem: Internet.

"O problema de estar sempre à disposição é achar que temos obrigação, sem direito a gratidão".

Se quiseres saber se um homem é digno de confiança, é preciso ficar atento para um requisito – Se ele é grato. Um dos mais nobres sentimentos – é a gratidão. Isso serve para todas as situações, ocasiões e percursos da vida. Quando você faz um favor o que realmente espera do agraciado? Não espera que o mesmo recompense, mas, espera-se que o beneficiador do favor seja grato. Caso contrário, não foi favor e sim divida. Sermos gratos é algo que está no dia a dia: Grato por ter famílias, por ter professores, amigos, vida, por ter a proteção de Deus... Por ser acolhidos. Ser grato é ser feliz.
Ser grato é um estado constante de eterno agradecido, não é uma divida ou ser escravo. É algo maior e sublime, um reconhecimento que só os nobres de alma são capazes de compreender. Lembre-se que uma divida pode ser cobrada ou até perdoada, contudo, jamais pode ser cobrado alguém por falta de gratidão, a consciência ou a necessidade futura baterá as portas como um reclame, e o homem grato estará lá, e prontamente servirá ou não, como diria Caetano.
O essencial é ser justo, um homem bom é confundido com “besta”, e besta está relacionado a alguém que pode ser ludibriado, que quer agradar a todos, que não replica é um sangue de barata como diz o ditado popular. Toda vez que você ouvir: “Fulano é besta ajudou Sicrano e ele nem aí...”. E se a resposta for mais o menos assim: “Deixa pra lá”, talvez, estejamos diante de uma pessoa com credito de gratidão.
Sabe qual é a pior acusação que um homem pode lavar? É a de ser ingrato! Ouvi recentemente de alguém: “Não dou confiança quem é ingrato” e você daria confiança quem lhe traiu? Talvez. E quem foi ingrato contigo? Ser grato é um reconhecimento que transborda, extrapola... Contudo, não é uma divida. É algo que sua consciência acusa-lhe, por algo que você foi beneficiado sem de fato ter direito, porque quando você tem direito, outro não fez mais que sua obrigação.

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