sábado, 29 de setembro de 2018

DEUS NÃO TEM PARTIDO POLÍTICO E A IGREJA NÃO TEM CANDIDATO


Por: Pericles Gomes
Imagem: Internet

No último mês, as redes sociais tem sido uma ojeriza desmedida. Tomei aversão. Em época de eleição os religiosos – pouco religiosos – destilam seus ódios, evocam maldição sobre seus adversários, ou melhor, sobre seus inimigos. E, o pior é ver que muitas das atrocidades, besteiras e loucuras estão sendo ditas e feitas em nome de Deus.

Isto, no entanto, só denuncia a falta de conhecimento político, eclesial e bíblico por parte daqueles que se pretendem representantes de Deus e/ou de suas igrejas. E muita gente de boa vontade acaba sendo enganada por estes afanadores travestidos de cristãos apologetas, que acabam devorando mentes e corações daqueles mais simples que se deixam influenciar por seus discursos mesquinhos.

Motivado por isto, resolvi escrever, por conta própria, este pequeno texto para denunciar esses farsantes. A primeira coisa que precisa ficar clara é: DEUS NÃO TEM PARTIDO! E segundo: A IGREJA NÃO TEM CANDIDATO! Quem disser o contrário é mentiroso e falso profeta! Continua valendo aquele alerta de São João em sua primeira carta: “Queridos amigos, não dêem crédito a todos os que dizem que são inspirados por Deus. Ao contrário, ponham-nos à prova e verifiquem se o espírito que eles têm é mesmo de Deus ou não, pois muitos falsos profetas têm saído pelo mundo afora. (1 João 4, 1).”

Igreja e Estado juntos, formando um único governo, nunca foi o desejo de Jesus (cf. Mc 12, 16). Pode incorrer, como aconteceu no passado, em fundamentalismos. Nos dias atuais, vemos no mundo islâmico (obviamente que não estou generalizando, apenas me refiro aos fanáticos e fundamentalistas) com o seu “Alá destruidor”, tentanto formar um "estado islâmico", entre os cristãos vemos crescer significativamente, o que denomino de “cristãos belicosos” que preferem o “Senhor dos exércitos”, ao Pai misericordioso que Jesus nos revelou.

Mesmo que muitos não gostem, nós não vivemos numa teocracia, como já mencionei anteriormente, vivemos sim, em uma democracia, isto é, governo do povo. Acontece que democracia é o modelo de governo para inteligentes, para quem ama a liberdade e sabe o seu valor. Foi a Clarice Lispector quem melhor respondeu sobre o valor da liberdade, disse ela: “Liberdade para mim é pouco, o que desejo ainda nem tem nome”. Democracia é, portanto, para quem não deseja ser tutelado, coagido. Por isso, os de espírito fracos, os sem juízo preferem ditaduras. Agora quando se trata de cristãos, é injustificável, recomendo sempre a exortação de São Paulo aos Gálatas: “é para a liberdade que Cristo nos libertou... não vos submetais de novo, ao jugo da escravidão” (Gálatas 5, 1).

Meus amigos e irmãos cristãos, o nosso Deus não se valeu do poder político para se nos revelar, Deus é muito maior do que qualquer poder temporal. Jesus nos ensinou que o Reino que ele veio nos fazer herdeiros não é deste mundo. Afinal, de qual mundo o Bom mestre está falando?

Ele está nos alertando que o seu Reino não é igual ao de Pilatos, isto é, que decide quem vive e quem deve morrer, Jesus veio trazer “vida e vida em abundância” (João 10, 10b), não o reino dos conchavos, das tramóias, da corrupção, da morte, onde uns tem tanto e outros não tem nada, não é o reino político que Jesus veio trazer, mas a civilização do amor, onde todos são irmãos e devem viver em fraternidade. Esse é o Reino que Jesus inaugurou e se somos seus discípulos verdadeiramente, precisamos nos esforçar para começar a vivenciá-lo aqui e agora, caso contrário, não haverá recompensa nenhuma depois.   

Sabemos que o seu Reino não é deste mundo, por que então aqueles que dizem segui-lo buscam tanto esse poder mundano? Pior, por que utilizam o nome de Deus para este fim? É bom refletirmos. Isso definitivamente não é ser católico. Quem usa – por causa da função que ocupa na Igreja - sua influência nas redes sociais para demonizar candidatos que não são de sua inclinação ideológica (pouco importa se é de direita ou esquerda ou centro ou qualquer outra denominação) não o faz em nome de Deus ou da Igreja, mas em seu próprio nome, mesmo que esses mentirosos tentem enganar o povo, que como já afirmei tem pouco conhecimento, político, bíblico e eclesial. Eles fazem isso porque perceberam que não há nenhum outro poder capaz de manipular tanto as pessoas, quanto o poder religioso.

Por fim: se líderes religiosos querem te obrigar a votar nos candidatos escolhidos por eles, utilizando a palavra de Deus para isso, digam não! Eles não têm poder para tanto! Não se deixem influenciar por eles, no fundo só estão tentando te manipular, às vezes, reconheço, até com boa vontade, mas quase sempre é por pura inclinação ideológica, seja ela qual for. Volto a afirmar: DEUS NÃO TEM PARTIDO E A IGREJA NÃO TEM CANDIDATO, quem disser o contrário é mentiroso, enganador e falso profeta. 

Diretor-presidente: Pericles Gomes. Edição e Revisão: Adenilson de Oliveira. Produção Executiva: Jailton Silva Gomes. Direção de Pauta: Leandro Bahiah. Direção de Arte: Pedro Henrique. Marketing e Propaganda: Abel Meira Gomes. Colunistas: Pericles Gomes/Leandro Bahiah/Pedro Henrique/Kallil Diaz. Colaboradores: Jamilson Campos/Henrique Alexandria e Josenaldo Jr.